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ROY KHAN: A RECONSTRUÇÃO DO CONCEPTION

Grupo norueguês virá ao Brasil pela primeira vez em sua história para um show único no Carioca Club (SP) no dia 9 de junho


Por Daniel Agapito

Criado na Noruega no ano de 1989 e ficando ativo até a entrada de Roy Khan no Kamelot em 1998, o Conception ganhou fama ao redor do mundo com seu estilo diferenciado, misturando elementos do hard, power e prog metal em “The Last Sunset” (1991), “Parallel Minds” (1993) e “In Your Multitude” (1995). Já em terras brasileiras, Roy Khan (vocal), Tore Østby (guitarra), Ingar Amlien (baixo), Arve Heimdal (bateria) e Lars Kvistum (teclado) tiveram seu maior impacto com o álbum “Flow” (1997), que traz hits como “Gethsemane”, “Reach Out” e a própria faixa-título. No final do mês de novembro do ano passado, a banda, que após retomar as atividades lançou “My Dark Symphony” (EP, 2018) e “State of Deception” (2020), surpreendeu seus fãs latino-americanos anunciando um giro de quatro shows para o mês de março, mas que foi adiado para junho (com três datas). Dizer que as expectativas para a primeira vez do quarteto na América Latina estavam e continuam altas é desnecessário. Tivemos a chance de bater um papo com Roy Khan (ex-Kamelot), a grande voz por trás da banda, para discutir desde o possível setlist da estreia no Brasil à sua participação no show do Edu Falaschi em janeiro, além de seu amor pelo A-HA.


Você esteve no Brasil em janeiro deste ano, fazendo uma participação especial no show do Edu Falaschi no Tokio Marine Hall (SP). Como esta parceria veio a acontecer? Tem alguma história interessante no Brasil?
Roy Khan
: Para começar explicando como fiz o show com o Edu, temos este amigo em comum na Finlândia, John, que participou de uma de nossas viagens de acampamento. Fazemos estas viagens com o Conception onde convidamos 10 fãs do mundo inteiro só para se divertir e trocar histórias por uns três dias. Este ano, fomos para alguns sítios vikings em uns lagos nos arredores de Estocolmo, na Suécia. Lembro de estar conversando com o John, que é brasileiro, mas mora na Finlândia um certo dia e ele mencionou o Edu e me perguntou da possibilidade de alguma colaboração em um futuro próximo. Na hora disse que sim, não vi por que não. Já havia conhecido Edu e ouvi suas músicas. Se me lembro corretamente, Edu entrou em contato comigo em outubro do ano passado, e falou do show em São Paulo. Disse que faria logo de cara. No final de janeiro, já estava no Brasil. Foi uma experiência bem legal. Fico muito grato pelo convite, foi muito divertido! Você esteve lá?

Estive sim, foi ótimo!
Khan
: Que bom! Não toco no Brasil faz um bom tempo. Cantar diante de um público daqueles é uma viagem e tanto. Tudo foi incrível. Entrei só para fazer três músicas, parte de três músicas, então meu trabalho foi fácil. O Edu é um xará incrível. Fico feliz não só por ter conseguido virar amigo dele, mas também por ter conseguido ir lá e ter cantado uma música do Kamelot pela primeira vez em muitos e muitos anos. Não lembro exatamente do ano da minha última performance aí no Brasil, lembro que foi com o Kamelot e acho que foi na Via Funchal.

Em 2005 junto com o Epica?
Khan
: Isso aí! Foi inacreditável também. Tem algo especial sobre o público brasileiro, todos vocês estão sempre tão entusiasmados e cantam junto, é muito legal poder cantar para um público com esse tipo de resposta. Para um artista que está lá em cima do palco, é tudo.

O Conception ficou em hiato de 1998 (quando você entrou no Kamelot) à 2018, fora uma breve reunião em 2005 para um show especial no ProgPower USA. Como diria que estes vinte anos o afetaram e alteraram suas perspectivas de carreira? Por consequência, como diria que afetaram a sonoridade do Conception?
Khan
: Obviamente todos nós temos tido muitas experiências de vida, que acabam se refletindo em uma certa maturidade que pode ser vista quando tocamos nossos respectivos instrumentos, nas performances e nas letras, é claro. Agora tenho diversas novas vivências que posso implantar em minhas letras. Ao longo do tempo, sempre permaneci amigo dos outros caras do Conception, voltar e poder criar música juntos novamente e poder subir nos palcos de novo foi ótimo.

Após o retorno da banda em 2018 foi lançado o EP “My Dark Symphony” no mesmo ano e o álbum “State of Deception”, em 2020. Podemos esperar material novo do Conception em um futuro próximo?
Khan
: Estivemos compondo alguns materiais novos, mas não temos planos concretos para um lançamento ainda. Tore (Østby, guitarrista) lançou uns trabalhos solo recentemente, e eu também estou fazendo algumas coisas solo. Existem certas coisas que queremos fazer fora o Conception. Quando eventualmente voltarmos ao estúdio com o Conception vamos fazer direito. Precisamos criar mais músicas, talvez umas duas vezes mais do que realmente precisamos, para que possamos filtrar as que não gostamos. Mesmo assim, até agora não temos planos concretos.

Em relação ao seu projeto solo, em uma entrevista com o MetalRules em 2007, quando questionado sobre um álbum solo de algum estilo não necessariamente adjacente ao metal, você disse que queria fazer muitas coisas e que não se importaria de fazer um disco de jazz: “Eu realmente poderia fazer um monte de coisas, pop, jazz, stoner metal, qualquer coisa…”. Em entrevistas mais recentes, chegou a dizer que o projeto solo está quase pronto. O que podemos esperar deste projeto solo?
Khan
: (rindo) Bom, gravei um show para streaming há alguns anos atrás, e tudo isso está sendo mesclado com pequenos “pedaços” no caminho que contam uma história. O tema é “meu primeiro”. Canto a primeira música que já cantei em um microfone, canto a primeira música que lembro de ter ouvido como criança, a primeira música do Kamelot que fiz juntamente ao Thomas (Youngblood, guitarrista do Kamelot), coisas do tipo. Já tenho tudo isso gravado, estou terminando agora, então este está logo ali. Um álbum já é um processo mais longo. Tenho material para um álbum, mas agora sou pai de família, estou ocupado com o Conception e alguns outros projetos, faço participações especiais aqui e ali, estou bem ocupado. Isso é algo que realmente quero fazer do jeito certo. Um álbum solo muito provavelmente não vem em um futuro próximo, mas talvez faça algo diferente, talvez grave uma música por vez. Tenho material para no mínimo uns três ou quatro álbuns, só preciso colocar essa porra em ordem (risos) e começar a gravar tudo.

Depois de se aposentar da música em meados de 2010, você entrou em uma igreja local na cidade de Moss, na Noruega. Rumores da época especulam que você estava produzindo um CD gospel. Este infame CD realmente chegou a ser produzido ou foi apenas um delírio dos fãs?
Khan
: Não, não. Realmente nunca nem considerei fazer um disco gospel. Não faço ideia de onde saiu essa teoria.

O que inspirou seu retorno à música?
Khan
: Sabe, parei em 2011 e ali estava me sentindo completamente frito. Só pensar em música, pensar em ir ao aeroporto, o Kamelot iria fazer uma turnê nos Estados Unidos, só pensar nisso, em ir ao aeroporto me deixava fisicamente doente. Por um bom tempo nem considerei fazer algo relacionado à música. Nem conseguia assistir programas tipo Ídolos na televisão, não tínhamos o The Voice na época, mas qualquer programa de TV que mostrasse alguém cantando, tipo o Eurovision Song Contest havia se tornado algo que não conseguia assistir. Só ver alguém no palco me dava uma avalanche de sentimentos esquisitos. Por um bom tempo me distanciei muito da música. De tempos em tempos sentava à frente do piano, foi dali que veio a primeira música que lancei antes de “My Dark Symphony” (2018) do Conception. “For All” foi uma das músicas que compus durante esse tempo. Foi em meados de 2015 ou 2016 que Tore e Arve (Hemidal, baterista do Conception) chegaram em mim com algumas faixas que haviam feito em jam, e aquilo acendeu uma faísca em mim. Conversamos até de nos trancarmos em um chalé nas montanhas e ver o que saía dali. Acho que acabamos com umas sete ou oito músicas que acabaram indo para o EP e para “State of Deception”. A maioria destas músicas veio deste tempo, antes de começarmos a gravar o EP. Esse foi o grande gatilho para o meu retorno!

Vocês começaram tocando um estilo próximo do power metal, metal melódico e depois adicionaram guitarras mais pesadas, deixando de lado ritmos acelerados até chegar “direto ao futuro” (na época) com “Flow” (1997). Como você descreveria o desenvolvimento da banda de “The Last Sunset” (1991) até “Flow”, já que “Parallel Minds” (1993) veio mais prog e “In Your Multitude” (1995) mais pesado a cadenciado?
Khan
: Quando fizemos “The Last Sunset”, fomos nós mesmos que produzimos aquele disco. Quando você tem um produtor, ele querendo ou não traz um pouco de sua influência, aquele fizemos sozinhos, éramos jovens e tínhamos pouca experiência. O álbum foi basicamente uma demo bem cara. Foi nossa primeira tentativa antes de levar à sério mesmo. Nos anos seguintes começamos a nos desenvolver em um ritmo estonteante, tanto como compositores quanto como músicos individuais. “Parallel Minds” saiu soando bem diferente. Na época também tínhamos uma gravadora e um produtor nos ajudando por trás. Tudo isso fez com que o “Parallel Minds” ficasse bem mais acessível para um público maior. Do “Parallel” ao “In Your Multitude” não houve um pulo tão grande como o do “The Last Sunset” ao “Parallel Minds”. Novamente, do “In Your Multitude” ao “Flow” houve uma grande mudança em nossa maneira de pensar e nossa abordagem em relação à composição e produção. Fica difícil apontar exatamente o que foi, mas tem a ver com amadurecer em um período que cada integrante da banda e a banda em si estavam se desenvolvendo bem rápido.

“Waywardly Broken” é a faixa de “State of Deception” (2020) com o maior número de streams. Qual a história por trás do refrão (Waywardly broken, From all the foul seeds I’ve sown, Yet born with this urge to remain, However fearful and conclusive, The world needs a shot of love, Directly to the heart, Cause night grows darker day by day)? O que quer dizer com “waywardly broken”?
Khan
: Sabe, a maneira que tive que me retirar da indústria em 2011 foi majoritariamente por conta do fato de que não estava vivendo a vida de maneira correta. Quero fazer referência a isso na música. Para mim, pessoalmente, se refere a muitas coisas na minha vida que não estavam boas. É esta mensagem que quero passar. A música inteira é atrelada à que achei quando saí do Kamelot e me abri para essa vida nova.

“State of Deception” traz letras sobre o erro humano, traição, mudanças climáticas, religião e política. Como desenvolvem as letras?
Khan
: Por incrível que pareça, nunca sento e tenho uma ideia clara sobre as temáticas das músicas. Da maneira que trabalhamos, sempre fazemos a música primeiro e quando conseguimos um esqueleto para a música jogo alguns versos. Obviamente, quando faço as coisas desse jeito, nem todas as palavras sairão com inglês perfeito. Honestamente, grande parte do que saí é só baboseira sem sentido. Tem certas palavras que estão lá, às vezes até frases que realmente fazem sentido. Em todos os casos, a baboseira realmente soa como algo. Eu ouço uma palavra que realmente parece uma palavra no inglês e tento fazer sequências com um significado real. Sequências que sinto que tenham um significado pelo menos para mim. Tento construir minhas letras assim. É incrível, tem músicas que não fazem sentido algum na demo, mas quando ouve a versão finalizada do álbum, é espantosa a semelhança entre as letras, mesmo as originais não tendo coerência alguma. As letras realmente fazem sentido. É como se deixasse as letras se escreverem. Claro, chega certo ponto que tem que decidir do que se trata a música, mas nunca decido isso antes de começar a escrever.

Talvez por isso, muitas de suas músicas acabam saindo com letras um tanto reflexivas. Quão importante é passar mensagens para reflexão?
Khan
: Considero muito importante. Passo muito tempo elaborando as letras. Neste método que acabei de descrever, ter esses versos da demo como ponto de partida, fazer aquilo ficar coeso e focar em um certo tema é algo que demanda muito trabalho. Tenho essas músicas girando na minha cabeça. Posso ficar dias aprimorando um único verso. Em relação às metáforas e símbolos, minhas composições têm camadas. Elas podem ser interpretadas de maneira superficial, exatamente como são escritas, mas há sempre uma camada mais profunda, onde dali sempre podem ser interpretados e injetados temas não só da vida de cada um, mas também do mundo. Para mim, as letras que gostei sempre foram assim. Nem todas, gosto muito de música pop, as bem tradicionais. Tem algo sobre como elas lhe pegam que gosto muito. Liricamente, tem que ter algo mais profundo que só palavras que podem ser interpretadas de maneira literal.

A Noruega é conhecida por diversas vertentes musicais, seja do mais extremo com o black metal e suas bandas como Mayhem e Darkthrone, do hard rock do TNT ou do pop do A-HA, todos com uma sonoridade bem diferente do Conception. Como realmente é a cena da Noruega e como foi moldado o som da banda nesse contexto?
Khan
: É difícil de dizer, morando aqui e tendo sido nascido e criado aqui. Realmente acho que o clima tem um grande efeito na personalidade de cada um e subsequentemente em cada um como artista. Também diria que não tem tanta gente que mora na Noruega (5 milhões de pessoas em 385 mil km²), então temos bastante território para pouca gente. Tem muita gente que mora bem longe um do outro. Somos o oposto de cidades grandes como Nova York, São Paulo e a Cidade do México, onde muitas pessoas vivem em uma área muito pequena. Na Noruega as pessoas estão bem espalhadas. Tem gente morando nos fjords remotos e no topo das montanhas no meio do nada. É algo que com certeza é refletido em nossa arte; não só na música, mas também na arte mais tradicional, literatura e tudo mais. Agora como ela (a cena) é diferente, como já disse, todas as bandas que você mencionou têm influenciado o Conception, de certa forma, ou naquelas direções. Tanto o A-HA quanto o TNT foram pontos de referência bem diretos para nós. Foram bandas que escutamos em nossos anos de formação, quando éramos crianças e buscávamos achar nossas identidades.

Ia falar mais especificamente do A-HA mesmo, porque sei que você gosta de A-HA, que fez muito sucesso aqui no Brasil, mas vocês gostam de outras bandas da Noruega e tem alguma ligação de amizade?
Khan
: Bom, sou o tipo de cara que gosta de ficar em casa e realmente não saio muito para festejar, então só conheço alguns músicos. Em relação às bandas norueguesas, tem algumas. Gosto muito de uma banda chamada Leprous, não sei se conhece, amo muito o trabalho deles. O vocalista é demais. Tem uma cota de bandas. Tem o The Shining, que começou com jazz, aí misturaram metal com jazz, agora viraram pop. O cara que realmente toca a banda, gosto muito de sua voz e suas composições; sua abordagem musical, no geral. Leprous, The Shining e muitos e muitos artistas pop.

O Leprous tocou aqui em São Paulo no final do ano passado e agora o vocalista, o Einar vem fazer alguns shows solo por aqui.
Khan
: Sério? Vi que ele está muito bem com a carreira solo. É um grande vocalista, aliás.

Rapidamente voltando ao Conception, os fãs brasileiros praticamente idolatram o álbum “Flow”. Podemos esperar a inclusão de hits desse disco, como a faixa-título, “Gethsemane” e “Reach Out”?
Khan
: Bem, sim. Estamos tentando elaborar um setlist que irá ser apreciado pelos fãs. Está certo, realmente tenho percebido que o “Flow” foi o álbum que mais repercutiu e teve mais atenção do Brasil. Mesmo assim, ainda temos algumas músicas mais antigas que gostaríamos de apresentar, uma vasta gama de nosso catálogo. Também queremos dar uma atenção ao nosso material mais novo. É sempre assim, as bandas sempre querem promover suas coisas mais novas. Teremos várias músicas mais novas, mas é claro que tocaremos algumas do “Flow”.

O que mais podemos esperar da experiência ao vivo do Conception?
Khan
: O Conception sempre foi sobre esses quatro caras, especialmente os outros, baixista (Ingar Amlien), guitarrista (Tore Østby) e baterista (Arve Hemidal), que ensaiavam infinitamente para chegar onde queriam chegar. Não diria que todos estavam sempre contentes com os resultados, mas tudo realmente valeu à pena. Somos uma máquina que funciona muito bem, então logicamente tentamos soar bons ao vivo também. É uma banda que realmente precisa ser vista ao vivo. Fora isso, nos divertiremos muito e tentaremos fazer a noite mais legal possível. Creio que isso não seja difícil, dado o público brasileiro.

Para fechar, tem mais algo a compartilhar com os leitores da Roadie Crew?
Khan:
Só queria dizer que estou muito animado para passar por aí. Quando estive em São Paulo em janeiro achei que foi muito bom, então quero muito voltar aí com o Conception. Vejo vocês em junho!

Site relacionado: https://conceptionmusic.com/
Instagram: www.instagram.com/conceptionmusic


SERVIÇO – Conception em São Paulo:
Data: Domingo, 9 de junho
Horário: 19h (portas) | 21h (início)
Local: Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros – São Paulo, SP
Vendas: https://www.clubedoingresso.com/evento/conception-sp

Produtora: www.instagram.com/farmusicent

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