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TARJA – São Paulo (SP)

Tokio Marine Hall – 23 de setembro de 2023

Por Clovis Roman

Fotos: Rafael Andrade

A cantora soprano finlandesa Tarja é uma verdadeira instituição do metal. Dos meados dos anos 1990, quando foi a principal precursora do uso de vocal lírico em meio ao Metal, até os dias de hoje, a artista sempre se manteve na ativa, independente dos músicos ao seu redor. São cerca de 15 álbuns lançados, além de participações especiais com Angra, Within Temptation, Scorpions e Doro, entre tantos outros.

Vivendo o seu sonho e sem prazo para acordar, Tarja retornou para um dos territórios que domina: o Brasil. Esta foi a nona turnê solo dela no Brasil (sem contar o concerto Noite Escandinava, realizada em 2004), e uma das que mais comoveu o público. O repertório da turnê Living the Dream  trouxe os grandes êxitos da carrreira solo da cantora, porém, trouxe lembranças dos tempos de Nightwish, mesmo que indiretamente.

Para aquecer a noite, duas bandas de metal sinfônico foram escaladas, e cada uma com sua pegada característica, abrilhantaram o evento. O Lumnia apresentou vozes líricas histriônicas e passagens bem costuradas, como evidenciado logo de cara com as faixas “Breathing Space” e “Broken Glass”. O repertório, com cerca de 40 minutos, contou com faixas do álbum Humanity Despair (cuja faixa título também funcionou muito bem ao vivo) e convenceu. O quinteto deu conta do recado e certamente angariou novos seguidores.

A outra abertura da noite ficou com a Santo Graal, com vocais operísticos bastante encorpados e uma pegada mais próxima ao metal. Isso, todavia, não quer dizer que a banda não mergulhe de cabeça no universo do metal sinfônico com propriedade. Não a toa, o grupo já abriu outras turnês da Tarja no passado pelo Brasil. No repertório, faixas do álbum Dark Roses, além do single “Lesser Evil” e material inédito. Para fechar o ciclo, depois de duas bandas inspiradas por Tarja em maior ou menor intensidade, chegava a hora da própria.

A diva do metal sinfônico subiu ao palco ao lado de seus instrumentistas Alex Scholpp (parceiro de longa data) e Julian Barret nas guitarras,  Pit Barret (irmão de Julian) no baixo, Guillermo de Medio no teclado e Alex Menichini na bateria. Os seis abriram o repertório com “Eye of the Storm”, cujo andamento lento e forjado no tango vai em um crescendo emblemático hipnotizante que explode em um refrão marcante que avisa: o show começou.  O passo seguinte era emedar uma porrada, e foi o que Tarja fez com a brutal “Demons in You” (cuja versão em estúdio conta com os vocais de Alissa White-Gluz), do álbum The Shadow Self, do qual também vieram “Diva”, logo mais a frente, e “Innocence”, que abriu o encore.

Não apenas pelo fato da banda ter o seu nome que Tarja é sempre o centro das atenções. Durante o repertório, esbanja simpatia e sorrisos, canta sempre divinamente e apresenta figurinos diferentes. Após o primeiro bloco, tocou e cantou, sozinha ao piano, a mais recente “You And I”, seguida de “Shadow Play”, (ambas do In the Raw, 2019), com a banda acompanhando em uma versão especialmente vibrante, que rendeu coros de “Tarja, Tarja, Tarja” e gritos isolados de “Eu te amo” aqui e acolá. Voltando aos tempos de Nightwish, “Phantom of the Opera”, de Andrew Lloyd Webber, eternizada pela voz de Tarja no álbum Century Child, do Nightwish. Para contracenar com ela, foi convidado o tenor lírico Thiago Arancam, famoso por estrelar o Fantasma da Ópera na passagem do musical pelo Brasil em 2018. Impecável na interpretação cênica e vocal, Thiago foi ovacionado ao fim do ato.

Regendo a grande massa, Tarja nem ao menos precisava anunciar as músicas, pois o público sabia todas, das mais famosas àquelas menos cotadas, com a progressiva “Naiad”; a representante solitária do bom disco Colours in the Dark, “Victim of Ritual”; ou a mais recente e apoteótica “Dead Promisses”. Do lado dos êxitos, “Die Alive” foi recebida com empolgação, impulsionada por suas batidas tribais e performance enérgica dos seis artistas no palco, reforçando uma música pesada, cheia de camadas e sensações entrelaçadas. Nessa, Scholpp cantou alguns dos primeiros versos, impressionando com uma bela voz.

Quem queria Nightwish e não se dava por satisfeito após “Until My Last Breath”, foi pego de surpresa quando Tarja e banda acenaram para as despedidas, seguindo o protocolo de se abraçarem na frente de todos e se curvarem em reverência. Enquanto aplaudia os fãs, Tarja fez um gesto como se perguntasse se a galera queria mais uma. A gritaria ensurdecedora foi a resposta positiva que iniciou as batidas de bateria que chamaram “Over the Hills and Far Away”, de Gary Moore, eternizada em um EP homônimo do Nightwish. Enquanto cantava os primeiros versos, o guitarrista do Angra, Rafael Bittencourt entra em cena para um momento de verdadeira celebração descontraída.

Como a ideia era revisitar o melhor da carreira solo, o foco maior acabou ficando nos dois primeiros álbuns (os de metal, excetuando, portanto, Henkäys ikuisuudesta, de 2006), My Winter Storm (2007) e What Lies Beneath (2010), dos quais vieram quatro faixas cada. Do debut, “Die Alive”, “Enough” e “I Walk Alone” foram pontos altos, assim como as pérolas “Falling Awake” e I Feel Immortal”, do posterior. Sem contar, também, “Until My Last Breath”, o último suspiro, nessa noite, de uma artista que pode não se sentir imortal, mas que, com certeza, não anda sozinha. A legião de fãs que lotou a casa e até mesmo aqueles que adquiriram pacotes de meet & greet jamais soltarão a mão da sua diva. Tanto que, mal deixou o país, já anunciou uma nova turnê no Brasil no próximo ano, com mais datas.

Tarja – Set list

Eye of the Storm
Demons in You
Falling Awake
Diva
Naiad
Oasis
You and I
Shadow Play
Enough
I Feel Immortal
The Phantom of the Opera
I Walk Alone
Victim of Ritual
Innocence
Die Alive
Dead Promises
Until My Last Breath
Over the Hills and Far Away

Lumnia – Set list

Reverie
Breathing Space
Humanity Despair
Broken Glass
Violet
Transcendence
Queen of Night
Embrace Darkness

Santo Graal – Set list

Whisper of Soul
Lesser Evil
Rebirth
Open Your Eyes
Troubled Heart
Dark Roses
Angel of Lust
Mistake Shadows
Black Swan
Sunshine II

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