TERROR – SÃO PAULO (SP)

25 de janeiro de 2026 – Fabrique Club

Por Marcelo Gomes

Fotos: Daniel Agapito

Domingo, 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, a festa deixou claro que o hardcore segue mais vivo do que nunca na capital paulista. Inicialmente marcado para o City Lights, o show do Terror precisou ser transferido para o Fabrique Club em razão da alta procura por ingressos. Mesmo no novo local, a casa ficou completamente lotada, em um sold out que já antecipava o que estava por vir. A escolha de três bandas brasileiras para a abertura demonstrou excelente curadoria e evidenciou a boa safra que a cena local produz. Os representantes nacionais foram Dognerve, Arize e One True Reason.

Já com um bom público na casa, o Dognerve entrou sem rodeios e com muita intensidade. Com o vocalista Cari Bruno à frente, a banda apresentou um setlist pesado e honesto, passando por músicas como Superar, Cuspa na Cara da Derrota e Realidade Nua e Crua, que obtiveram ótima resposta da pista, com os fãs socando o ar e rodando os braços na mais pura tradição hardcore. A sequência final, com Lágrimas de Dor e De Você Eu Não Quero Nada / Set it Off (cover do Madball), conquistou de vez os presentes, como se pôde constatar na pista, que já começava a se transformar em um pequeno campo de batalha. Som alto, bem equalizado e um hardcore cru e sem firulas, do jeito que o estilo pede, foi o que o Dognerve proporcionou a quem chegou cedo ao evento e, com certeza, não se arrependeu.

Na sequência, o Arize subiu ao palco sob forte expectativa. Durante a apresentação, a banda avisou que faria poucos shows ao longo do ano pois entrará em estúdio para gravar um novo EP. Liderados pelo vocalista Caio Turim, abriram com Burden to Carry, Pain Runs Deep e Here to Stay, em uma sequência intensa, uma paulada atrás da outra. Caio lembrou o público para aproveitar o momento, pois não sabiam quando tocariam novamente. O aviso sequer era necessário: a galera respondeu com muita energia. Apesar de o som não estar com a equalização ideal, a banda mostrou entrosamento e One of Your Kind Is Too Many encerrou a apresentação, deixando claro que o Arize vive um excelente momento.

Encerrando a participação das bandas nacionais, o One True Reason mostrou por que é um nome cada vez mais respeitado no hardcore brasileiro. Com Thiago de Freitas nos vocais, o grupo apresentou um repertório que mesclou músicas mais antigas, como Iron Minded, Defiance e Ghosts of Tragedy, com faixas mais recentes, a exemplo de Under the Surface e Maddog. O Fabrique Club já estava próximo de seu limite e o público ainda assim encontrou espaço para responder com rodas constantes. A banda demonstrou domínio de palco e precisão instrumental, preparando o público de forma exemplar para a atração principal. Com a força de Absence of Life, Cold as Stone e a intensidade de Bigotry, garantiu que ninguém ficasse parado. Mais um grande expoente do hardcore nacional que entregou tudo e mostrou que não deve nada a ninguém.

Quando o Terror finalmente subiu ao palco, o Fabrique Club já estava completamente lotado. Desde os primeiros acordes de One With the Underdogs, Scott Vogel deixou claro que aquela não seria apenas uma apresentação, mas uma celebração coletiva. Em diversos momentos, chamou os fãs para o palco, entregou o microfone e reforçou que o show “era de todos”. A pista tornou-se, literalmente, em uma extensão do palco, sem qualquer separação entre banda e plateia.

O setlist foi um passeio pela discografia que consolidou o Terror como uma das maiores bandas do hardcore mundial. Clássicos como Spit My Rage, Stick Tight e Return to Strength soaram como verdadeiros hinos, enquanto Lowest of the Low e Always the Hard Way protagonizaram alguns dos momentos mais intensos da noite. Era impossível ficar parado, mesmo para quem estava mais afastado. Em meio a esse cenário caótico, era inevitável imaginar o desafio enfrentado pelo nosso fotógrafo Daniel Agapito para registrar tudo isso. Um verdadeiro guerreiro!

Caminhando para o encerramento, a banda manteve a intensidade com Pain Into Power, Overcome e The 25th Hour, todas cantadas em coro. Vogel aparentava estar genuinamente emocionado com a resposta do público brasileiro, reforçando a forte conexão construída ao longo dos anos com o país. Não havia clima de despedida, mas de celebração. Para encerrar a noite, o Terror entregou um final apoteótico com Keep Your Mouth Shut e Keepers of the Faith, que ecoaram pelo Fabrique Club como um mantra. A reação foi exatamente a esperada de um show do Terror: pessoas no palco, vozes misturadas, suor, rodas e um forte sentimento coletivo de pertencimento. Inacreditavelmente, tudo isso aconteceu ao longo de quarenta minutos, mais do que suficientes para que os mestres do hardcore ministrassem uma verdadeira aula histórica, tamanha a intensidade da performance. O sold out no Fabrique Club foi mais do que merecido e comprova que o hardcore, quando feito com verdade, atrai público e cria noites memoráveis.

Setlist Dognerve
Superar
Cuspa na Cara da Derrota
Falsa Autoridade
Meu Respeito
Estilo de Vida
Por Nós Mesmos
DNHC
Realidade Nua e Crua
Lágrimas e Dor
De Você Eu Nao Quero Nada
Set it Off (cover do Madball)


Setlist Arize
Burden to Carry
Pain Runs Deep
Here to Stay
Price of Deceit
Dark Thoughts
Hate Is All We Have
One of Your Kind Is Too Many

Setlist One True Reason
About to Die
Iron Minded
Defiance
Under the Surface
Endbringer
Ghosts of Tragedy
Maddog
Absence of Life
Cold as Stone
Bigotry

Setlist Terror
One With the Underdogs
Spit My Rage
Stick Tight
Boundless Contempt
Return to Strength
Lowest of the Low
Always the Hard Way
Can’t Help but Hate
Pain Into Power
Overcome
You’re Caught
The 25th Hour
Keep Your Mouth Shut
Keepers of the Faith

 

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