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ZUMBIS DO ESPAÇO – São Paulo (SP)

3 de fevereiro de 2024 – La Iglesia

Texto e fotos: Daniel Agapito

Desde os anos 70 e 80, o punk rock e o hardcore têm sido gêneros com uma cena fervorosa e frutífera, especialmente na capital e na região do ABC, com inúmeros exemplos de grupos que se tornaram verdadeiras instituições e referências do estilo, como Ratos de Porão, Cólera, Inocentes, Garotos Podres e muitas outras. Caminhando para os anos 90, em 1996 surgiu, através de Tor Tauil, Zumbilly e Gargoyle, o Zumbis do Espaço, que tem sido um dos grandes expoentes do gênero, mais especificamente do horror punk. Mesmo com parte das festanças carnavalescas já se iniciando com os bloquinhos nas ruas e outros shows acontecendo, o quarteto conseguiu atrair um público considerável para o La Iglesia na noite de sábado, 3 de fevereiro. Comemorando três décadas de carreira, a performance de Tor Tauil (vocal), Rafael Romanelli (guitarra), Val Santos (baixo) e Guilherme Martin (bateria) prometia ser um tanto eletrizante.

Por volta das 21h30, as luzes da casa começaram a piscar, e os PAs tocavam uma pequena introdução. O que seguiu foi por volta de uma hora de pura insanidade. A atmosfera da Iglesia já ficou absolutamente elétrica com “Surf Sangrento”, a primeira música que tocaram. A ainda não lançada, “A Fúria Selvagem” também fez com que o clima da noite ficasse ainda mais alto-astral. Após estas enérgicas, veio o single “Aos Mortos Fica a Maldição”, lançado recentemente. Mesmo sendo lançado exatamente uma semana antes da data do show, o público cantou o refrão inteiro, como se fosse uma clássica, o que demonstrou a real lealdade e adoração que os fãs têm pela banda.

Após estas faixas do novo álbum (com data de lançamento prevista para este ano), foi tocada uma sequência de clássicos, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, do álbum “Destructus Maximus” (2019), “Zumbis do Espaço” e “Mato Por Prazer”. Esta última foi uma das primeiras vezes em que um mosh considerável foi formado, algo que viria a ser acontecimento comum ao longo da duração da performance dos paulistas. Ao longo da música, a roda ia tomando conta da casa com capacidade para aproximadamente 150 pessoas. Tamanha era a cantoria do público presente que havia momentos em que o vocalista virava o microfone para o público e era realmente difícil de perceber alguma diferença.

A agitada “Mato por Prazer” foi seguida por “Dia dos Mortos” e “A Marca dos 3 Noves Invertidos”, ambas de “Aberrações que Somos” (2002). Com as notas finais d’”A Marca dos 3 Noves Invertidos”, Tor Tauil saiu do palco e a icônica virada de bateria de “Strutter” tomou conta dos alto-falantes. Com Rafael Romanelli e Val Santos no vocal para a primeira parte da música e com Guilherme Martin injetando uma dose de energia na linha de percussão de Peter Criss, quem estava presente foi à loucura com esta versão punk do clássico do Kiss. Outra virada esmagadora marcou o início da “Inspirado pelo Cão”, décima do set.

Alguns minutos depois, com mais algumas músicas já tendo sido apresentadas, foi tocada uma das mais esperadas da noite, “Nos Braços da Vampira”, que foi dedicada a todas as mulheres que vieram ao show. A roda punk ainda não havia parado, muito pelo contrário, aliás, só ficava mais e mais vertiginosa, demonstrando claramente que a maioria de quem estava lá não estava de maneira alguma cansada. Mantendo este mesmo nível de energia altíssimo, as queridinhas dos fãs “A Invasão”, “Satan Chegou” e “Espancar e Matar” foram as seguintes, reforçando ainda mais o clima de festa criado naquela noite.

As luzes se reduziram, e pelos PAs começava mais uma introdução; delineando um “segundo ato”. Esta parte do show contou com mais seis músicas, todas muito bem recebidas pelo público. A primeira a ser tocada foi “Que Venham os Mortos”, segunda faixa do terceiro álbum do grupo, “Abominável Mundo Monstro” (2000). Mais destaque foi dado aos primórdios da banda, com “Guardada Para Sempre”, do mesmo álbum, e “Eu Me Tornei Um Mutante”, de “Horror Rock Deluxe” (1999).

Depois desta faixa, o vocalista falou do novo álbum, intitulado de “Fúria Selvagem”. De acordo com ele, o material está pronto e é muito bom. Uma das músicas que fará parte do repertório é a eletrizante “Ir, Seguir e Destruir”, tocada ao vivo pela primeira vez naquele sábado. Mesmo sendo nova, os fãs receberam-na de maneira calorosa, e já no segundo refrão cantavam junto de Tauil. Com o final da música, o vocalista começou a apresentar os integrantes, gerando gritos de adoração dos fãs aos membros.

Por conta do tamanho e caráter subsequente intimista do La Iglesia, a interação do público com a banda foi algo sempre presente. Tor Tauil frequentemente levantava o pedestal de seu microfone para conseguir pegar um pouco da cantoria do público, Rafael Romanelli agachava para chegar mais perto daqueles que estava em frente ao palco, Guilherme Martin recebia gritos de “batera, fodido, batera, fodido” (com razão)… E quando Tauil não introduziu Val Santos quando foi falar dos integrantes da música, muitos gritavam “e o Val?” e “ei, Val, pega na minha mão”. Este foi um dos muitos fatores que fez com que a performance dos veteranos do horror punk não fosse apenas um show, e estivesse mais semelhante a uma festa.

O show se concluiu com “Cão do Inferno” e “O Mal Nunca Morre”, duas músicas que foram cantadas praticamente na íntegra por todos os fãs e que foram recebidas com rodas punk impetuosas. A banda soltou seus respectivos instrumentos e começou a se retirar do palco, provocando gritos de “mais uma, mais uma” dos que estavam presentes. Depois que Rafael Romanelli – o guitarrista – fez um sinal com as mãos para os fãs esperarem, os gritos mudaram para “mais duas, mais duas”. Pouco tempo depois, o baterista da banda voltou ao palco, ovacionado pelo público, segurando um print com uma versão alternativa do flyer do show (com uma arte modificada da single “Aos Mortos Fica A Maldição”), agradeceu quem estava presente, falou do novo álbum, e deu o print para um fã que estava na frente do palco. Martin rapidamente voltou à sua bateria e o resto da banda retornou ao palco para tocarem a tão esperada “mais uma”.

O público incansável se encontrava mais uma vez reenergizado, agora para a última música da noite, neste caso, “Diabos Mutantes”. O que aconteceu nos mais ou menos 2:330 da música encapsulou perfeitamente o que foi o show por completo; insanidade. As rodas punk – que mais para o final da performance já tinham mais ou menos aquietado – voltaram enlouquecidas, a banda demonstrava ser infatigável, Tor Tauil continuava sorrindo e interagindo com o povo, Romanelli permanecia palhetando sua guitarra de maneira ágil, Val Santos continuava usufruindo de todo o espaço do palco e mantendo uma base sólida e Guilherme Martin realmente batia em sua bateria como se ela o devesse dinheiro. Este som foi uma incrível maneira de fechar a noite, o som estava ótimo, não tendo piorado pela duração completa do show, a banda mostrava ser implacável acima do palco, o público presente estava tão engajado quanto no começo; foi um final praticamente perfeito. O show acabou com Guilherme Martin batendo tão forte nos pratos que alguns deles caíram, fazendo com que Val Santos jogasse seu baixo para cima da bateria, fomentando a destruição que acontecia. Foi com este caos (e com “Monster Mash” tocando pelos PAs) que a tão energética noite foi concluída.

No geral, os Zumbis do Espaço proporcionaram uma noite e tanto do melhor horror punk que o Brasil tem a oferecer. Mesmo com vários bloquinhos de carnaval já tendo aparecido naquele mesmo dia, alguns podem dizer que a festa mais animada de São Paulo foi na Rua João Moura, 515. A extensão de pouco mais de uma hora do show provou ser curta e a Iglesia provou ser pequena para conter todo o ânimo das pessoas que estavam lá. O dia 3 de fevereiro de 2024 ficará registrado como uma noite enérgica de punk.

Setlist Zumbis do Espaço:
1. Intro 1*
2. Surf Sangrento
3. A Fúria Selvagem
4. Aos Vivos Fica a Maldição
5. Onde os Fracos Não Têm Vez
6. Zumbis do Espaço
7. Mato Por Prazer
8. Dia dos Mortos
9. A Marca dos 3 Noves Invertidos
10. Strutter (Versão Punk)
11. Inspirado Pelo Cão
12. O Lobisomem Que Eu Sou
13. Prostíbulo do Inferno
14. O Chamado da Estrada
15. Nos Braços da Vampira
16. A Invasão
17. Satan Chegou
18. Espancar e Matar
19. Intro 2*
20. Que Venham os Mortos
21. Guardada Para Sempre
22. Eu Me Tornei Um Mutante
23. Ir, Seguir e Destruir
24. Cão do Inferno
25. O Mal Nunca Morre
Bis
26. Diabos Mutantes
27. Monster Mash*
* tocado pelo sistema de PA

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