Mais de seis anos após a morte de Neil Peart, a personalidade reservada do baterista continua sendo um dos aspectos menos explorados de sua trajetória. É justamente esse lado que o diretor Sam Dunn pretende colocar em primeiro plano em Neil Peart: No One’s Disciple, produção que realizou ao lado de Scot McFadyen.
Em entrevista à CTV News, Dunn explicou que, apesar de Peart ser amplamente reconhecido por sua importância como baterista, letrista e autor, sua personalidade fora dos palcos permaneceu relativamente distante do público.
“Acho que as pessoas conhecem o baterista, o letrista e o artista talentoso que ele era, mas não acho que conheçam muito sobre ele pessoalmente, porque ele era uma pessoa bastante reservada.”
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Para construir esse retrato, os cineastas recorreram a pessoas que conviveram de perto com Peart, permitindo que suas lembranças ajudassem a apresentar características do músico que não costumavam aparecer em entrevistas ou aparições públicas.
“Reunimos vários de seus amigos para que realmente nos contassem como ele era como pessoa. Acho que o que nosso filme revela é que ele foi uma verdadeira inspiração para muitas pessoas em suas vidas.”
Uma história além do baterista
Dunn, que também dirigiu o documentário Beyond The Lighted Stage, de 2010, sobre o Rush, afirmou que o novo projeto nasceu da percepção de que a história de Peart ainda não havia sido contada sob essa perspectiva.
“Neil Peart é um dos maiores bateristas de rock de todos os tempos. Ele era um letrista extraordinário, foi autor de livros, e esperamos que este documentário revele que ele também era um amigo muito leal e amoroso, além de uma inspiração para muitas pessoas.”
O filme acompanha diferentes momentos da vida do músico, incluindo suas dificuldades no início da carreira e a ascensão que o transformou em uma referência mundial na bateria.
A produção também conta com depoimentos de Geddy Lee e Alex Lifeson, companheiros de Peart no Rush, além de participações de bateristas como Stewart Copeland, Danny Carey, Chad Smith e Gavin Harrison.
O segredo mantido até o fim
A natureza reservada de Peart também ficou evidente durante os últimos anos de sua vida. O músico morreu em 7 de janeiro de 2020, aos 67 anos, após enfrentar um glioblastoma, mas sua doença foi mantida em sigilo por decisão do próprio baterista.
Em 2022, Geddy Lee contou que Peart não queria que o público soubesse sobre o diagnóstico. Segundo o baixista e vocalista, ele e Alex Lifeson respeitaram a decisão do amigo, mesmo que isso significasse esconder a situação dos fãs.
“Ele não queria que ninguém soubesse. Simplesmente não queria. Queria manter isso dentro de casa. E nós fizemos isso. E foi difícil. Não posso dizer que foi fácil, porque não foi.”
Lee revelou que Peart inicialmente havia recebido uma expectativa de vida de aproximadamente 18 meses, mas conseguiu viver por cerca de três anos e meio após o diagnóstico.
“Quando você está nesse estado, é muito difícil funcionar normalmente, porque não pode falar com ninguém sobre isso, já que ninguém deveria saber. Então as pessoas ouvem rumores e perguntam, e você desconversa. Por um lado, isso parece desonesto, mas, por outro, você está sendo leal ao seu amigo.”
A decisão de preservar a privacidade do baterista, portanto, acabou sendo uma das experiências mais difíceis enfrentadas pelos dois companheiros de banda durante aquele período.
Neil Peart: No One’s Disciple procura justamente preencher parte dessa lacuna, apresentando não apenas o músico celebrado por sua técnica e contribuição ao rock, mas também o homem que permaneceu cuidadosamente protegido dos holofotes.

Rush no Brasil em 2027
Geddy Lee e Alex Lifeson celebram mais de 50 anos de carreira e prestam homenagem na estrada ao saudoso companheiro da banda, Neil Peart.
No Brasil, os shows são promovidos pela 30e e apresentados pelo Itaú Unibanco. A “Rush – Fifty Something South American Tour” acontecerá em 2027, começando por Curitiba (Arena da Baixada) em 22 de janeiro, seguindo para São Paulo (Nubank Parque) em 24 e 26 de janeiro, e depois para o Rio de Janeiro (Estádio Nilton Santos – Engenhão) em 30 de janeiro, Belo Horizonte (Estádio Mineirão) em1º de fevereiro, e Brasília (Arena BRB Mané Garrincha) em 4 de fevereiro.

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