Em participação recente no podcast Mohr Stories, apresentado por Jay Mohr, Billy Gibbons relembrou uma oferta feita pela empresa de lâminas Gillette ainda nos anos 1980. A proposta era simples na forma, mas simbólica no impacto: ele e o então baixista Dusty Hill deveriam raspar as barbas para participar de um comercial televisivo.
Segundo o guitarrista, cada músico receberia um milhão de dólares para aceitar o convite. Antes de tomar qualquer decisão, Gibbons buscou a opinião de Bob Merlis, nome conhecido da indústria musical. A avaliação não se restringiu apenas ao valor financeiro, mas ao que aquela mudança representaria. No fim das contas, a dupla optou por recusar, decisão que, de acordo com Gibbons, foi bem recebida pelo público quando a história veio a público.
Levando em conta a correção monetária, a quantia oferecida à época ultrapassaria hoje a casa dos três milhões de dólares por integrante. Mesmo assim, Gibbons sempre tratou o assunto com distanciamento. Em entrevistas anteriores, o músico deixou claro que nunca considerou seriamente a proposta, tratando a possibilidade de abandonar o visual com ironia e certo desconforto.
O tema voltou a aparecer em outras conversas ao longo dos anos, como em uma entrevista concedida à KLRU Public Television, no Texas. Na ocasião, Gibbons comentou de forma bem-humorada que, depois de tanto tempo, ele e Hill sequer sabiam mais o que havia por trás das barbas, reforçando o tom de brincadeira ao falar do assunto.
Já ao ser questionado pelo jornalista Dan Rather sobre a origem do visual característico do ZZ TOP, Gibbons ofereceu uma explicação direta. Segundo ele, tudo começou durante um longo intervalo nas atividades da banda, em meados da década de 1970, quando o grupo aguardava definições contratuais. O tempo passou, o retorno demorou e o visual acabou se fixando. Enquanto o baterista Frank Beard logo voltou a se barbear, Gibbons e Dusty mantiveram as barbas, que aos poucos deixaram de ser algo circunstancial e passaram a definir a imagem do grupo.
Dusty Hill morreu em 28 de julho de 2021, aos 72 anos, enquanto dormia em sua residência, em Houston. Poucos dias depois, o ZZ TOP retomou os shows. Antes disso, Hill havia se afastado por conta de um problema no quadril, sendo substituído temporariamente por Elwood Francis, técnico de guitarra da banda há mais de duas décadas, que acabou assumindo o baixo nos palcos. Hill integrava o grupo desde 1970, um ano após sua fundação.
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