
Rikki Rockett, baterista e cofundador do Poison, decidiu esperar até agora para publicar sua autobiografia, Ghost Notes: My Life in Poison. O livro, escrito com Leif Eriksson e Martin Svensson, chega em 15 de setembro de 2026 pela Rare Bird Books. Segundo o músico, uma das razões para o adiamento foi não querer envergonhar seus pais enquanto eles estavam vivos.
Em entrevista a Erin Greatrix, do canal This Day In Metal, Rockett explicou que algumas histórias presentes na obra poderiam deixá-los desconfortáveis.
“Não queria constranger meus pais quando eles estavam vivos [risos] contando algumas dessas histórias. Depois pensei: ‘Agora tenho filhos…’. Mas sempre terei filhos e, em uma vida normal, eles vão sobreviver a mim. Então, em algum momento, preciso fazer isso. Agora eles têm idade suficiente para que eu possa dizer: ‘Deixe-me explicar isso’. Sinto que está tudo bem agora.”
Rockett afirma que sabia desde o início que alguns episódios delicados precisariam aparecer no livro, entre eles a controvérsia envolvendo o MTV Awards, a acusação de estupro que afirma ser falsa e sua batalha contra o câncer.
“Todo mundo queria saber sobre as coisas ruins. É estranho como as pessoas precisam saber. Querem saber sobre o MTV Awards. Querem saber sobre a acusação de estupro. Querem saber sobre a batalha contra o câncer. Então eu sabia que precisava falar sobre essas coisas, e elas fazem parte da jornada.”
Apesar da disposição para abordar assuntos difíceis, o baterista não quis transformar a autobiografia em um acerto de contas. Durante a produção, chegou a pedir aos autores que suavizassem alguns trechos.
“Houve muitas coisas sobre as quais depois procurei os ghostwriters e disse: ‘Sabe de uma coisa? Não me sinto bem com isso. Vamos diminuir isso’. Não sinto que tenha jogado ninguém na fogueira — pelo menos não acho que tenha feito isso.”
O título Ghost Notes faz referência à bateria e funciona como metáfora para os acontecimentos que ficaram entre os grandes momentos de sua carreira.
“Em vez de apenas os destaques que você sempre ouve — ‘Poison fez isso’, ‘Rikki Rockett fez aquilo’ ou ‘Rikki foi preso por isso’ — são todas as coisas que aconteceram entre esses momentos. São as ghost notes entre todas as grandes coisas que vocês já ouviram falar.”
Em entrevista ao Trunk Nation With Eddie Trunk, em 2024, Rockett explicou que os produtores dos primeiros discos do Poison não gostavam que ele utilizasse muitas ghost notes. Segundo ele, a produção da época privilegiava baterias mais diretas e pesadas. Foi principalmente a partir de Flesh & Blood e Native Tongue que conseguiu tocar de maneira mais livre.
A autobiografia também pretende mostrar uma parte menos conhecida da formação do Poison. Rockett considera que a história da banda é frequentemente reduzida aos anos na Sunset Strip, em Los Angeles, deixando de lado o período anterior, vivido na Pensilvânia e na região tri-state.
“O que é mais interessante são nossos anos na região tri-state e na Pensilvânia, toda a porcaria que enfrentamos tentando tocar e encontrar nosso espaço. Para mim, isso é mais cinematográfico do que ‘eles tocaram no Troubadour e na Sunset Strip e colaram cartazes’. Todos já ouvimos essas histórias.”
Rockett também quis ir além do tradicional “sexo, drogas e rock and roll”, abordando família, dependência, traição, câncer e outros aspectos pessoais.
“Quero que as pessoas me vejam como uma pessoa, não apenas como uma figura, e percebam que existe alguém por trás disso. Não apenas eu, mas qualquer músico, ator ou artista. Existem sentimentos reais ali.”
Em 2025, Rockett já havia admitido que revisitar sua trajetória foi difícil, especialmente ao recordar a batalha contra o câncer e a acusação de estupro.
“É assustador. É claro que tenho arrependimentos. Há muitas coisas das quais me arrependo. Mas elas aconteceram, estou aqui, aprendi com elas e segui em frente. Algumas coisas não são divertidas de reviver, mas é minha história e as pessoas precisam conhecê-la.”

Acusação de estupro
Em 2008, Rikki Rockett foi preso no aeroporto de Los Angeles após uma mulher acusá-lo de estupro ocorrido no Mississippi, em 2007. Rockett negou a acusação e apresentou provas de que não estava no estado na data indicada, incluindo registros e testemunhas.
A investigação concluiu que ele não poderia ter cometido o crime. As autoridades posteriormente identificaram John Minskoff, que teria se apresentado à mulher como sendo Rockett. A acusação contra o baterista foi retirada em julho de 2008, e ele não foi levado a julgamento pelo caso.
Batalha contra o câncer
Diagnosticado com câncer oral em 2015, Rikki Rockett passou por quimioterapia e radioterapia, mas o tumor voltou poucos meses depois. Diante da possibilidade de uma cirurgia que poderia comprometer sua capacidade de falar, ele participou de um estudo clínico de imunoterapia. O tratamento reduziu o tumor em mais de 90% e, após 18 semanas, a doença havia desaparecido. Em julho de 2016, o baterista anunciou que estava livre do câncer.
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