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STÄLKER: TERROR & MAGIA NEGRA

Certamente a Nova Zelândia não é o primeiro país que vêm à sua mente quando você pensa em heavy metal ou música pesada em geral. Porém, assim como acontece com outros países que não tem uma tradição em ‘exportar’ grandes nomes do gênero, quando alguma banda de lá dá as caras além das suas fronteiras, pode apostar que vale a pena conferir. Esse é exatamente o caso do Stälker, que em 2017 lançou seu elogiado debut Shadow Of The Sword, e que em 2020 apareceu com Black Majik Terror, até agora o seu mais recente trabalho. Para saber mais sobre tudo o que cerca o universo da banda, conversamos com o guitarrista Chris Calavrias, e o baixista vocalista David “Daif” King. E, se você é fã daquele típico speed metal dos anos 80, aproveite a leitura, pois você pode estar conhecendo uma de suas novas bandas favoritas! 

Vamos começar com as apresentações. O Stälker foi formado em Wellington, Nova Zelândia, em 2016. Não sabemos muito sobre a cena metal em seu país, então você pode nos apresentar à cena? Como as coisas funcionam para o metal na Nova Zelândia hoje em dia? 

Chris Calavrias: Nós temos uma forte comunidade de heavy metal aqui na Nova Zelândia. Muito unida. Muitos shows de gêneros mistos já que nossa comunidade de heavy metal não é tão grande quanto em outros países. Temos algumas bandas matadoras aqui como os atos black/death Ulcerate, Vassafor, Hereiasch, os reis do stoner são os Beastwars, e ainda temos o punk/sludge com o Unruly, Piggery, Total Ruin e o power/violence do Stress Ghetto. 

Conte-nos um pouco sobre sua formação musical. Quais eram suas bandas favoritas antes da formação do Stälker? Você se lembra qual foi a banda que te fez mergulhar na música, e a banda que te fez aprender um instrumento e ser músico? 

Chris: Eu toco guitarra desde os doze anos e sempre amei música. Não foi até o final da adolescência que comecei a tocar em algumas bandas. No começo dos meus vinte e poucos anos, tudo o que eu queria tocar era heavy metal rápido. As bandas que fizeram isso para mim foram Judas Priest, Iron Maiden, Dio, Accept, etc, mas foi apenas quando eu ouvi Violence And Force do Exciter e Show No Mercy do Slayer que eu quis tocar speed metal.  

David “Daif” King: Eu me lembro de ouvir o álbum The Muppet Show quando criança e pensar que essa música Tenderly era foda! (risos) Acho que essa foi minha primeira lembrança de algo pesado. Mas eu não acho que foi até que eu ouvi Masona, do Japão, muito mais tarde que eu percebi o que a música poderia ser. Eu sabia que queria tocar música, mas era (e sou) muito ruim nisso. Tive algumas aulas de baixo quando adolescente, mas era tudo tão chato. O pobre professor tentava me ensinar os fundamentos, mas isso não era para mim. Foi só quando comecei a fazer barulho com o que tinha por perto que comecei a construir um relacionamento real com meu instrumento. A partir daí comecei a aprender o que eram acordes tocando junto com os discos do Ramones (ainda recomendo isso para quem quer aprender um instrumento). Com o tempo eu ficava cada vez mais frustrado com bandas ao vivo na minha cidade tocando tão devagar. Eu ficaria visivelmente frustrado (risos). Então, graças a Deus, encontrei Nick e Chris ou realmente estaria em apuros. 

Em 2016 vocês lançaram sua primeira e única demo até hoje, intitulada Satanic Panic. Até onde sabemos, a demo se saiu muito bem e colocou alguns holofotes sobre a banda. Como foi essa experiência para vocês, e como vocês se sentiram com a grande demanda pelo primeiro material do Stälker? 

Chris: Achei incrível. Aquela demo foi uma ótima maneira de lançar a nossa música e a banda. Esperamos até que tudo estivesse pronto antes de divulgarmos a banda nas redes sociais e no bandcamp e ao mesmo tempo colocarmos a demo à venda. Não demorou muito para tocarmos nosso primeiro show. Queríamos que tudo saísse de uma vez ao invés de dizer, “temos uma nova banda, teremos alguma música em breve”. Fiquei absolutamente impressionado com o suporte que a demo recebeu! 

Você se lembra como a Napalm Records entrou em contato com vocês? Como foram os primeiros dias dessa cooperação entre banda e gravadora? 

Cris: Lembro, com certeza! Eles entraram em contato depois que a demo foi lançada, acho que depois de dois meses. Um de seus caras de A&R entrou em contato conosco e ficou muito empolgado com a demo. Ele disse que isso realmente o lembrou de sua juventude e das bandas que o colocaram no heavy metal. Acho que ele queria nos ter na gravadora mais por ele do que pelos lucros, o que é absolutamente incrível. Quer dizer, que grande gravadora assinaria um contrato com uma nova banda de speed metal da Nova Zelândia? A Napalm tem sido absolutamente incrível e nos permite fazer o que quisermos. As pessoas com quem lido lá são muito legais, e nos bastidores é tudo 100%! Conheci alguns deles nas duas últimas turnês na Europa e são pessoas super incríveis. 

Logo após a assinatura do contrato, vocês tiveram seu primeiro álbum lançado. Shadow of the Sword (2017) é um álbum bastante sólido, e foi muito elogiado. Conte-nos sobre o processo de composição e o tempo em estúdio para o álbum de estreia. 

Chris: Pelo que me lembro, ele foi apenas uma continuação das músicas que escrevemos para o nosso show ao vivo. Precisávamos de mais algumas músicas para o álbum e terminamos de compor. Algumas das músicas eram de quando a demo foi escrita, então são todas da mesma fonte, por assim dizer. 

Daif: O processo de composição é praticamente dividido meio-a-meio entre Chris e eu. Um de nós trará o esqueleto de uma música para a mesa, e passaremos um longo tempo cortando a gordura, transformando-a no mais eficiente, elegante e cativante dispositivo de entrega de violência possível. Às vezes, no entanto, uma música vai ficar tremulando nas nossas cabeças ao longo de um ou dois dias, até ser totalmente formada por um de nós. Esse processo geralmente não admite pausas, e demanda muito café. Foi uma época boa pra caralho! 

Minha introdução à música de Stälker foi o vídeo de Shocked To Death, e é uma das minhas músicas favoritas na sua jornada desde então. Por favor, conte-nos um pouco sobre a música e o vídeo. 

Daif: Essa foi a primeira música que fizemos que explora a ideia de ser consumido pelo mesmo poder que você procurava desesperadamente. É um tema bem antigo, e que já faz parte da história do Stälker. 

Chris: Pedimos ao nosso bom amigo Shimano para nos ajudar com o vídeo. Claro que não tínhamos muito dinheiro (nunca temos) e eu disse a ele, “ei cara, se você puder ajudar, você pode ter uma ideia que acabe melhorando as coisas para você”. Você sabe, tipo ‘ei, se eu fizer isso pode ser algo legal para começar a trabalhar no que realmente quero fazer’. Ele disse que estava tudo bem, que voltaria com alguma ideia. Bem, acontece que ele queria ter uma freira fodendo com uma garota na nossa frente, enquanto a banda tocava a música. Porra! (risos gerais). Fazer o que, então fomos em frente com isso mesmo, acho que não tínhamos escolha se queríamos que ele ajudasse. Filmamos em uma antiga estação de TV, e quando estávamos lá, passamos por todos os adereços cenográficos que eles tinham, e encontramos essa enorme cruz. Na hora nos perguntamos como poderíamos usá-la. Bem, acontece que encontramos um lugar para isso no vídeo! Confiram aí (risos). 

Outra música que me chamou a atenção foi a faixa-título, os riffs explodem na sua cara, e para mim pelo menos soa como um riff influenciado por Mike Sifringer (ex-Destruction).  

Daif: Somos grandes fãs do Destruction. Devo ter tocado os dois primeiros álbuns deles um milhão de vezes!  O que de fato seria o metal sem a música deles? 

Bem, pouco antes do novo álbum, vocês lançaram o EP Powermad (2019), que conta como uma arte de capa incrível, totalmente oitentista. 

Daif: A capa mostra nossa mascote nos terrenos baldios momentos antes da onda de choque. Foi pintado por mim durante um fim de semana, e foi coisa do último minuto, como sempre (risos). Eu sou um grande fã de ter pinturas reais como arte de capa. É difícil de explicar, mas traz uma sensação de realismo ao todo. Ter algo tangível ancorado em algo etéreo como a música é importante para mim. 

Black Majik Terror – 2020 – Napalm Recs. – IMP

Falando em metal oitentista, o mais novo álbum, Black Majik Terror (2020), mantém a chama do metal da velha guarda acesa, e eu gostaria de destacar algumas faixas. A primeira é Iron Genocide, onde notei uma grande dose de riffs punk. Por favor, conte-nos um pouco sobre isso. 

Daif: Na Nova Zelândia temos uma ótima, apesar de pequena, comunidade musical que é bem unida. Isso significa que temos muitos amigos que gostam de músicas diferentes. É inevitável ir a um show e não ter alguns diferentes gêneros musicais em uma noite. Dito isso, a cena punk é super forte na Nova Zelândia especialmente aqui Wellington, nossa cidade natal. Você não pode deixar de ser influenciado pela música de todos os outros. Eu gosto de quão grande a Iron Genocide fica, gosto de como é implacável. 

Holocene’s End é a música mais longa da banda até hoje. Fale um pouco sobre ela, por favor. 

Daif: Bem, eu estava interessado na probabilidade de um algo como a queda de um asteroide que possa redefinir o relógio da civilização novamente em breve. A música faz a pergunta, e se houvesse um grupo de pessoas com conhecimento de um evento tão iminente? Bem, não sou cientista, mas parece haver alguns dados bastante convincentes de que houve um evento de impacto catastrófico cerca de doze mil e oitocentos anos atrás. Para o leitor atento, eles podem notar que isso é cerca de metade de um Grande Ano (N.R: na astronomia, o período de um ciclo completo dos equinócios em torno da eclíptica, ou cerca de 25.800 anos). Em alguns círculos, acredita-se que tudo o que se partiu e colidiu com a Terra fazia parte do fluxo de meteoros Taurid – nomeado por conta da constelação de Touro, de onde parece irradiar. Este fluxo em particular aparece no céu em torno do Halloween a cada ano, que não por coincidência é quando nosso novo álbum Black Majik Terror também libertou sua fúria no mundo. 

Quanto a produção, qual foi o objetivo em termos de som dessa vez? 

Chris: Gravamos em todos os lugares possíveis desta vez. Gravamos a bateria com um cara muito experiente do nosso cenário local, chamado Vanya Vitali (N.R: guitarrista e vocalista da banda Unruly). Ele é um bom amigo do nosso baterista (Nick Oakes), então essa é sempre uma vibe legal. Eu e Daif este ano (2020) decidimos montar um estúdio em um prédio que fica do outro lado da rua onde moramos. É tão foda! Um ótimo lugar para ir e vir, e ainda gravar quando der vontade. Foi tudo trabalho nosso, e quando digo nosso, quero dizer Daif. Ele construiu uma cabine vocal, pintou as paredes, colocou alguns pôsteres incríveis, um sofá, uma mesa de centro de vidro, algumas revistas de luta livre e estávamos prontos. Enviamos tudo para Auckland para nossos amigos que dirigem o estúdio Dynamic Rage, Cam e Raj. Cam trabalhou muito conosco antes de mixar nossas coisas, mas desta vez ele estava muito ansioso para experimentar sua nova mesa analógica. Ele pegou um antigo console DDA e praticamente reformulou a coisa do zero. Ele colocou todos os mostradores no máximo e fez um ‘hot rod’. Raj regravou todas as nossas faixas com um Peavy reforçado no canal Rhythm. Todos os solos passaram por um velho ADA MP1. Mas vou te dizer uma coisa, assim que saiu da mesa de mixagem ficamos tipo, “esse é o som”! 

Muito obrigado pelo seu tempo. Para encerrarmos, como estão as coisas por aí em relação a shows e outros eventos de grande porte?  

Daif: Na Nova Zelândia, festivais de metal são algo inédito. Ficamos de queixo caído quando vimos o que a Europa tinha a oferecer! Barracas a perder de vista, um mar de fãs, e um milhão de bandas tocando nosso tipo de música favorito. Incrível! Bem, quanto a Nova Zelândia, estamos praticamente de volta ao normal. Outra coisa sobre o tamanho relativamente pequeno deste país é sua capacidade de se isolar efetivamente do mundo. Isso nem sempre costumava ser bom. Antes da internet, a Nova Zelândia estava sempre vinte anos atrás do resto do mundo culturalmente (risos). Temos uma população menor, então estamos bem aqui. Apenas sem artistas internacionais por um tempo, eu acho, o que é bom porque precisamos trabalhar no novo álbum enquanto ainda temos um planeta para ouvir um novo álbum (risos). 

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