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THE MELTIES – A NOVA VOZ DA RESISTÊNCIA

Banda paulista estreia com o álbum "Hit Me", com exclusividade para a ROADIE CREW

Depois de alguns anos lutando pela sobrevivência no underground, finalmente a banda The Melties está lançando o seu álbum de estreia, intitulado com o significativo título Hit Me. Arriscando uma abordagem política e social justamente em uma época que o país mais precisa deste tipo de postura, a banda – formada Jana (voz) Thizzy (bateria), Jesus (guitarra) e Macci (baixo) – também surpreende na sua proposta musical, que une o peso típico do metal e do grunge com aquele algo típico de um Sonic Youth, uma verve depressiva que recorda o antigo Placebo (em Second Chance) e mais um milhão de referências que vão se cruzando em um caminho musical absolutamente único. Junto com essa entrevista onde falam sobre sua trajetória e o processo de elaboração de Hit Me,  a ROADIE CREW traz com exclusividade a estreia no álbum (que você pode ouvir agora em todas as plataformas de streaming, clicando aqui). Boa leitura, e boa viagem. Você vai querer voltar aqui.

Vamos começar pelo início: como e quando surgiu a banda?

Macci: O The Melties surgiu no início de 2013, após o fim da banda chamada Money Honey, que os quatro integrantes do Melties participavam, desde o fim dos anos 2000. O que era pra ser uma retomada dessa banda, após um período de pausa, acabou se tornando o The Melties, que veio de forma imediata com renovação e frescor de ideias absolutamente novas e desgarradas.

A princípio, ainda em 2013, éramos somente inspirados em rock alternativo e um pouco de metal; mas devido as “convulsões” sociais deste ano, mais elitizadas do que sociais, fomos abraçados por vários questionamentos, inclusive culturais. A partir daí, começamos a pensar qual seria o nosso papel como artistas no mundo, e vimos que era urgente a imersão e a resistência em um mundo tão raso, inspirado por uma sociedade tão ególatra e de uma política tão obscurantista.

A partir de 2014, já estávamos quase pertencendo a uma sonoridade que representaria toda a vibração que sentíamos a respeito de quase tudo que nos afligia. E, com certeza, o Metal, o Punk, o noise do Grunge, e a música alternativa, representam muito melhor os sentimentos de revolta, frustrações e resistência ao sistema político, social e cultural.

Vocês já tinham experiência em bandas antes da The Melties? Qual era o background musical de vocês, como músicos e/ou fãs de música?

Jesus: Eu e o Macci já tínhamos uma bagagem de bandas cover de Classic Rock, Punk, Hard Rock e Grunge, e de som autoral ao longo dos anos, mas nada que soasse perto do que conseguimos com o Melties.

Thizzy: Estive desde os meus 16 anos inserida na cultura rock, por meio do meu então, namorado, Macci. Acompanhei de perto todos as dores e glórias de uma banda de rock, porém, ainda nos bastidores, sem imaginar tocar nada. Em 2001, tive aulas de bateria na faculdade, mas não tinha bateria, e não aprendi nada, foi uma experiência traumática. Depois de 12 anos, com 33 anos de idade, senti vontade de aprender tocar bateria novamente, comprei uma bateria simples, pois não tinha grandes pretensões. Como a banda do Macci, na época Money Honey, estava sem bateria, fui tirando as músicas na raça, em casa mesmo, com ajuda do Macci. E então fizemos um “teste” (para mim e a vocal Jana), e foi decisivo para o começo de uma nova história, que viria ser o The Melties.

Jana: Nasci numa família apaixonada por música, mas sem músicos. Mas a minha grande influência no rock foi o meu irmão mais velho. Na adolescência, formei uma banda com mais duas amigas do colégio, mas não passou de ensaios nas tardes de domingo. Depois de me formar como atriz, comecei a fazer aulas de canto e estudar música. E seguindo os conselhos do meu professor comecei a trabalhar em companhias de teatro musical. Mas a vontade de ter banda e compor sempre esteve comigo. Até o Melties (que na época era outra banda) aparecer na minha vida.

Uma das coisas que imediatamente chama a atenção neste álbum de estreia da The Melties é apresentada logo de cara, na faixa de abertura, Noise One. Diferente das demais, ela não tem letra, e inicia com o som do batimento cardíaco. Bem, sei que existe um ‘convidado especial’ muito bacana nesta faixa (risos), então, você poderiam explicar essa história para os nossos leitores?

Macci: Noise One foi um entusiasmo, uma inspiração no nascimento, na criação, no absolutamente novo, do ponto estático para a permanente expansão. E já com o resultado positivo da gravidez da Thizzy, minha esposa (baterista do Melties), tornou Noise One quase uma experiência exotérica, astral. Queríamos que ela soasse como o Big Bang, um começo de tudo, uma colisão de estéticas musicais, e o coração do Deni, surgindo até o ponto mais alto e percorrendo um bom trecho da música, foi perfeito! Vale destacar que não é só o som dos batimentos cardíacos do Deni ali, gravado e introduzido; mas a música e o álbum todo foram gravados com a Thizzy grávida de cinco meses, o Deni está presente em todas as músicas.

Além disso, existiu uma razão especial para escolherem essa música para abrir o disco? O que quiseram mostrar com ela?

Thizzy: A razão de Noise One abrir o álbum é exatamente pelo nascimento, o início da criação e produção do álbum, essa coisa de “Barulho Um” tem a ver com o princípio de tudo.

Logo na sequência, vocês trazem Hit Me, uma música rápida, direta, repleta de uma vibração muito intensa, e que mantém essa intensidade na letra. ‘Try to hit me, just try’, um ótimo verso para cantar junto nos tempos atuais (risos). O que podem nos falar sobre esta música?

Macci: Hit me é a sensação de sufocamento e revolta pelo desmonte da civilidade e dos direitos humanos. A luta pela liberdade de escolha e decisão do indivíduo, a exigência de respeito. Mas existe uma ameaça ali, dizendo que haverá sim, retaliação. Ao ponto de você lutar e resistir até o fim, sem concessões! Tudo isso transformado em um ritmo e em uma estética musical muito direta, rápida, entonação punk, emoções anarquistas e libertárias. Sempre quando pensamos sobre Hit Me, sentimos que nada é capaz de impedir a gente de se manifestar sobre o sistema que nos castra nas liberdades gerais.

Com um apelo que faz lembrar o grunge, vem na sequência Hate Me, uma das minhas favoritas. O sentimento que essa música emana é do tipo ‘você é tão ruim quanto as ideias que você abraça’. A pegada é essa mesmo?

Jana: Nela abordamos o “aqui se faz, aqui se paga”, de que não serei cúmplice do mal que alguém pode causar. A verdade sempre vem à tona, cedo ou tarde, essa é a mensagem.

Outra das minhas favoritas, Selfish tem um apelo musical único, com muito do rock alternativo dos anos 90, mesclado com o peso do doom/stoner metal. Gostaria que falassem um pouco do processo de composição musical, como fazem para unir elementos de mundos musicais diferentes em uma única música?

Jesus: O Melties é essa fusão de um monte de coisa bacana, suja e pesada que ouvimos ao longo do nosso caminho (como indivíduos e como banda). O processo de composição mesmo trazendo influências tão distintas, como você bem mencionou, vem de maneira quase orgânica pra gente, não pensamos ou arquitetamos uma estrutura ou, se uma música deve soar como “isso”, ou como “aquilo” as composições fluem de modo bem natural.

E agora não poderia deixar de pedir que comentem a letra desta mesma música (Selfish), pois como disse, é uma das minhas favoritas (risos).

Jana: É uma música que fala sobre a raça humana, seu egoísmo e egocentrismo. Que é capaz de qualquer coisa pra conseguir o que quer, independentemente do que possa acontecer com o próximo. Os versos finais da música são questionamentos para nós refletimos e, até nos sentirmos incomodados e envergonhados. Pois conseguimos viver nossas “vidinhas” sem lembrar que todos os dias têm pessoas sofrendo nesse mundo e não fazemos quase nada pra mudar essa realidade.

The Blame on Me traz os elementos anteriormente citados, e adiciona uma dose emocional extra, existe algo muito emotivo nesta música.  Que mensagem ela traz?

Jana: Gostaria que a Blame fosse uma música com a qual as pessoas que estão passando por momentos de depressão, ansiedade e autoquestionamentos se identificassem, e não se sentissem sós nesses pensamentos sombrios. É como se fosse um pedido de ajuda. E também fala de como as redes sociais podem nos prejudicar, com essa falsa impressão de que todo mundo tem uma vida perfeita, enquanto a sua está se afundando. No nosso lyric vídeo uma pessoa escreve a letra como se fosse uma carta de suicídio… É um tema cheio de tabus que deve ser abordado com urgência, as pessoas precisam levar a depressão a sério.

Assista o lyric video: https://youtu.be/RROk7icGbww

De um modo geral, o álbum Hit Me traz elementos musicais variados em perfeito equilíbrio, e fãs de metal em geral, de rock alternativo, punk e grunge têm muito a aproveitar no disco. O que acreditam ter sido o essencial para alcançarem o resultado?

Jesus: Acho que a ideia sempre foi essa e ficamos felizes por ter alcançado esse resultado (risos). Somos fãs e amplos consumidores de material de bandas de Rock Alternativo, Metal, Punk e Grunge. Esse é literalmente o core que forma e une a banda, as influências e o gosto musical de cada um, sem dúvida, foram fatores essenciais para conseguirmos dar vida a esse “mix”.

Com o álbum lançado, quais são os próximos passos da The Melties?

Ricardo: Ainda em novembro, no dia 29, vamos lançar o videoclipe da música Satans Royal Dance. E, com certeza, vamos trabalhar bastante pra intensificar a agenda de shows pra promover o disco, temos muita ânsia de que o maior número de pessoas possa conhecer um disco que nos foi tão prazeroso em criar.

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